Cidades
Acessibilidade é lei!
Inclusão social e mercado de trabalho para todos
Segundo o Ministério do Trabalho, o número de empregos formais para portadores de deficiência aumentou em 2017, contudo os profissionais ainda não estão preparados para lidar com este público
Por Giovanna Monteiro, Kátia Leila, Luciana Costa, Mariana Campos e Pedro Petrocélio.
As pessoas com deficiência (PCD) afirmam que, ao procurar por emprego, enfrentam dificuldades pela escassa quantidade de vagas disponíveis, e principalmente, pela falta de preparação e confiança por parte das empresas. Embora o Governo do Brasil tenha estabelecido, por meio da Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91), a obrigatoriedade de 2% a 5% de pessoas com deficiência de acordo com o total de empregados.

Alessandra Lopes, 45, possui deficiência visual e trabalha como professora de atividades no Centro de Ensino Especial 01 do Gama (CEE). Ela conta que sua maior dificuldade foi o preconceito dos outros. “As pessoas já fazem um pré julgamento de que vai ser difícil para pessoa com deficiência fazer isso ou fazer aquilo”, revela Alessandra.
A professora relata ainda que nas festas da escola, por vezes ela foi convidada dar somente apoio moral por conta das preparação de alimentos, ainda que ela alegasse normalidade sobre essas ações. “Eu sou uma dona de casa normal. Tenho filhos, cuido dos filhos, arrumo a casa. Faço da forma que consigo fazer, mas as pessoas acham que eu não dou conta”, disse também.
Outro fator é a despreparo ao incluí-los no meio trabalhista. Carla Tavares, 40, funcionária do Superior Tribunal de Justiça (STJ) há sete anos, diz que, em entrevistas de emprego, se deparou diversas vezes com discriminação e inaptidão das empresas por possuir surdez e ausência congênita de uma mão. Este fato atrapalhou sua busca por emprego por algum tempo e ela garante que "tudo o que um ouvinte consegue fazer, um surdo também consegue, nós nos esforçamos e aprendemos da mesma forma".
O NÚMERO CRESCENTE DE PCDs NO MERCADO
Em contrapartida, o número de vínculos empregatícios com deficientes chegou a 441,3 mil em 2017, o que equivale a 1% do estoque total de empregos no país. Em comparação ao ano anterior, houve um crescimento de 5,5% no preenchimento de postos de trabalhos por PDC.
As pessoas já fazem um pré julgamento de que vai ser difícil para pessoa com deficiência fazer isso ou fazer aquilo”, revela Alessandra.


Segundo o Ministério do Trabalho na última Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), referente ao ano de 2017, dos 1.246.729 empregados no DF, 14.606 possuem algum tipo de deficiência (visual, mental, auditiva, física, múltipla ou reabilitado) e estão inseridos na Lei de Cotas, o que representa cerca de 1,17% do total. O gráfico a seguir demonstra detalhadamente os dados do ano de 2016 e 2017
O DESPREPARO PARA INCLUIR
No entanto, os obstáculos não terminam quando um portador de deficiência é contratado. No próprio trabalho, por mais acessível que seja, podem acontecer desentendimentos. A Elisângela Alves Cunha, supervisora e intérprete no Superior Tribunal de Justiça, confessa que já presenciou situações, nas quais os funcionários surdos tiveram impasses para se comunicar com pessoas que desconheciam a língua de sinais; afirmando que "a única coisa que está entre o serviço e o surdo é a compreensão, por isso é tão importante o trabalho de um intérprete".
Carla Tavares, 40, funcionária do Superior Tribunal de Justiça (STJ) há sete anos, diz que, em entrevistas de emprego, se deparou diversas vezes com discriminação e inaptidão das empresas por possuir surdez e ausência congênita de uma mão. Este fato atrapalhou sua busca por emprego por algum tempo e ela garante que "tudo o que um ouvinte consegue fazer, um surdo também consegue, nós nos esforçamos e aprendemos da mesma forma".
Também é o caso de Marilene Lopes, 44, que possui lábio leporino e apresenta dificuldades na fala. Hoje trabalha como servidora e intérprete no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, ela conta o quanto foi difícil para encontrar um emprego antes de ser funcionária pública. Para ela, o preconceito é um dos principais empecilhos, pois, passou em processos seletivos com notas excelentes e deixou de ser chamada devido à sua condição.
Apesar da Lei das Cotas, ainda há uma carência em relação à inclusão social e a acessibilidade nos âmbitos trabalhistas e educacionais. O esforço necessário para sanar os problemas citados deve partir não somente do governo ou de grandes empresas, mas essencialmente, de cada cidadão, pois todas adversidades enfrentadas pelas pessoas portadores de qualquer deficiência são resultado da falta de conhecimento e empatia da sociedade.
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